O ateliê
Faço o vaso
e formo a árvore.
Meu nome é Jimmy Edson. Há mais de quinze anos eu divido o dia entre o torno e o bonsai — de manhã puxo parede de barro, de tarde aramo galho. As duas coisas foram chegando juntas e nunca mais se separaram.
Fiz cursos e certificações em cerâmica artística e em cultivo de bonsai, e desde então trabalho sozinho: eu modelo, eu esmalto, eu queimo, eu embalo. Quando você recebe uma peça minha, ela não passou pela mão de mais ninguém.

Grês não é a mesma coisa
que cerâmica de loja.
A maior parte do vaso que se vende por aí é queimado a 900 ou 1000 °C. Ele é bonito no dia da compra e vai embora em dois invernos. O que eu faço vai a 1280 °C, e isso muda o material — não é acabamento, é física.
Não bebe água
A 1280 °C o barro vitrifica: a parede fecha e para de absorver. Vaso poroso encharca, congela e racha por dentro — esse não.
Aguenta o inverno
Peça de baixa temperatura lasca na geada da serra. O grês passa o ano na varanda, no sol e na chuva, sem esfarelar a borda.
A raiz respira
Parede densa por fora, drenagem generosa por baixo e furos de amarração de verdade: a água sai, o ar entra e o torrão não apodrece.
Dura mais que a árvore
Um vaso desses acompanha a planta por décadas. É por isso que vale escolher com calma qual vai ser.
Como nasce
Semanas, não dias.
Modelagem
Torno ou placa, sem molde. O pé é recortado com estilete, um por um.
Secagem à sombra
Duas a três semanas. Apressar aqui é trincar depois.
Primeira queima
A biscoito, pra peça poder receber o esmalte sem desmanchar.
Esmalte à mão
Despejado, não pulverizado. Ele escorre onde quer — daí os pingos.
Queima de alta
1280 °C e o forno frio só no dia seguinte. É aqui que o barro vira pedra.



Quer ver de perto?
Me chama no WhatsApp e eu te mando foto e vídeo da peça na mão, na luz do dia. É o mais perto de estar aqui no ateliê.
